31 julho 2013

O homem não foi à Lua?



Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade - foi o que disse Neil Armstrong, no dia 20 de julho de 1969, para quase 1 bilhão de pessoas que o ouviam ao vivo na Terra. Hoje, passados mais de 35 anos, algumas pessoas acham que ele deveria ter acrescentado: "Acredite... se quiser!".

Existem pessoas que afirmam que o homem nunca foi à Lua e que todas as fotos e filmagens exibidas pelas várias missões espaciais foram forjadas pela NASA em um estúdio da Área 51 (famosa por outras teorias da conspiração, como o caso Roswell). Segundo estas pessoas, a NASA decidiu enganar o mundo inteiro quando descobriu que não poderia vencer os soviéticos na corrida espacial. Ainda mais grave: alguns dizem que a explosão que matou três astronautas em 1967 não foi um acidente, mas o assassinato dos homens que se recusavam a colaborar com a farsa.

O mito de que o homem não foi à Lua não é novo mas até hoje só encontrava eco em pessoas com pouca ou nenhuma formação acadêmica. Mas em 2001 algo novo aconteceu. No auge da popularidade do seriado "Arquivo X", o canal FOX exibiu o documentário "Conspiracy Theory: Did We Land on the Moon?" ("Teoria da Conspiração: Nós fomos à Lua?", disponível na sua rede P2P favorita). Apresentado pelo ator Mitch Pileggi (o diretor assistente Skinner na série), o programa é um dos maiores exemplos de mau jornalismo que já se viu na TV. Ao exibir as evidências da suposta farsa sem permitir que os cientistas as esclarecessem (o programa é permeado por esparsos comentários de um representante da NASA mas tão vagos e fora de contexto que acabam funcionando a favor da conspiração) o programa não só deu credibilidade à conspiração da Lua como ainda endossou a idéia de que a NASA teria assassinado seus astronautas. Muito bom para um episódio de Mulder e Scully mas não para o mundo real.

Desde então, impulsionado pela popularidade da FOX e transmitido aos quatro cantos pela internet, o mito se alastrou. No Brasil, talvez alimentado por um forte sentimento anti-americano, o mito encontrou nestes tempos bicudos um terreno fértil para prosperar. Não há números oficiais mas é possível constatar em blogs e listas de discussão que é grande o número de jovens estudantes e até professores que duvidam - seriamente - que o homem pisou na Lua (o documentário da FOX afirma que 20% dos americanos duvidam que o homem foi à Lua mas, considerando-se a fonte, esta estatística deve ser encarada com suspeita).

O pai do mito de que o homem nunca pisou na Lua é o americano Bill Kaysing. Entre 1957 e 1963, Kaysing trabalhou como catalogador na Rocketdyne, empresa que fornecia peças para a NASA e em 1974 lançou o livro "Nós nunca fomos à Lua" ("We Never Went to the Moon"). A única formação acadêmica de Kaysing é o título de bacharel em Inglês, curso que fez em 1949. Uma entrevista com Bill Kaysing, em áudio e vídeo, pode ser encontrada aqui

Aqui no Brasil, nosso mais ativo representante é o diretor e professor de cinema André Mauro. Mauro tem um livro publicado sobre o tema - "O Homem não pisou na Lua" (que por algum tempo esteve em todas as bancas de jornais do Rio de Janeiro) - que já lhe rendeu uma aparição no programa de entrevistas do Jô Soares. Embora seu site não acrescente nenhuma informação nova ao mito, Mauro se distingue por ter diversificado sua incredulidade. Além de não acreditar que o homem foi à Lua, Mauro também não acredita na bomba atômica, nos buracos negros, na teoria da relatividade, nos atentados terroristas de 11 de setembro, que Saddam Hussein tenha sido capturado pelos americanos durante a invasão do Iraque e nem que a Terra gira ao redor do Sol (!!); na sua versão do naufrágio do Titanic o culpado não foi um iceberg, mas uma organização Jesuíta e, como seria de se esperar, defende o mito das mensagens subliminares a ponto de espelhar o conteúdo dos sites evangélicos sobre o tema.

A maior parte dos argumentos utilizados por Bill Kaysing, André Mauro e outros conspiracionistas da Lua para tentar provar que a missão espacial foi uma farsa são tão ingênuos que podem ser rebatidos por conhecimentos básicos de física e fotografia. A seguir examinamos estes argumentos

Um comentário:

  1. Amigo Carlos Mágno, seu artigo merece todo o nosso respeito, mas não nos convence. As primeiras pessoas que ouvi duvidando da afirmação midiática de que o homem chegara presencialmente à Lua foi de simples homens do interior, alguns até ligados à roça mesmo; isso logo naquela época, início dos anos 1970. De minha parte, ouvia aquelas opiniões com certo sentimento de pena por achar que aquela gente não dispunha de noção mais apurada para entender que, sim, era possível chegar à Lua e o homem havia chegado. Confesso que passei mais de três décadas com essa certeza. Quero ser honesto e confirmar que foi justamente pela internet que tive toda aquela certeza demolida, da noite para o dia. São argumentos consistentes e intransponíveis, sem sombra de dúvida, os apresentados por William Charles Kazing, Ralph Rene, Ross Marshall, Bart Sibrel e muitos outros. De Mauro deve ter colhido muita coisa deles, embora tenha coletado vários dados pessoalmente, inclusive do furtivo executivo da NASA Daniel Saul Goldin, que teve a coragem de responder: "sobre isso não sei porque aconteceu antes de minha chegada à NASA". Escrevemos "executivo", mas ele estava no Brasil na condição de presidente daquela agência. O documentário que o amigo hostiliza fez simplesmente divulgar para os brasileiros aquilo que já é voz corrente nos EUA, e a taxa deve ser muito superior aos 20 por cento, principalmente depois do "11 de Setembro", quando temas como Pearl Harbor, Seis Milhões, John Kennedy, navios brasileiros atacados por alemães, e outros temas vieram à baila com força total. É bom que se diga, que lá nos EUA existem instituições, associações, entidades organizadíssimas que se dedicam a cada um desses temas. São compostas por especialistas de várias disciplinas, acadêmicos e não, e até cientistas. No caso do blefe do Projeto Apollo, nem seria preciso todos aqueles investigadores terem aparecido; bastaria a imprensa em geral ter sido honesta (coisa que não é) e ter apresentado documentário a céu aberto e extensivo sobre os Cinturões de Van Alllen; bastaria isso, todo o resto viria a baixo por si só. Não se trata de sentimento antiestadunidense, pois que temos amigos sinceros naquele e daquele país; é um povo amigo e que hoje sofre muito (os mais conscientes) pela constatação de que toda aquele pujança que já existiu e se encontra em extinção proveio de fraudes, exploração de povos oprimidos no exterior e, o mais grave, ser um país que serve de plataforma para o sionismo transnacional. Acredito que se o amigo se der ao trabalho de observar imparcialmente os fatos, constatará que não é preciso ser acadêmico para saber, não digo para “acreditar”, mas para saber mesmo, com certeza, que o homem ainda não pisou na Lua. Talvez um dia venha a fazê-lo, mas num tempo que se perde no futuro, ainda sem possibilidade de ser vislumbrado. Agradeço pela oportunidade.
    Mulato Paulista

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