11 agosto 2013

O CONSELHEIRO E O ARTISTA

Homenagem ao
trabalho pedagógico emancipador
e à sua gestão democrática.

Era uma vez...
...um artesão do interior do nordeste brasileiro que criava obras de arte em seu ateliê. Era muito conhecido pela originalidade e beleza de suas obras. Um dia, um visitante, entusiasmado com a beleza das criações do artista, perguntou curioso:
“Como é que você consegue criar obras tão maravilhosas e belas?”
O artesão, desafiado a dar o testemunho de seu trabalho, com brilho nos olhos, respondeu:
“Eu olho a pedra, eu admiro a pedra, eu falo com a pedra, eu acaricio a pedra e acabo tirando de dentro da pedra o que a pedra quer dizer”.

O artista, com sua sensibilidade desenvolvida, oferece sua mediação para deixar a “pedra dizer o que ela que dizer”. Ele não faz da pedra o que ele quer, mas, no diálogo com a pedra, apoia a pedra para que ela possa ser o que ela quer. Ele não é o senhor, o dominador, o impostor, o delapidador da pedra, para quebrá-la, mutilá-la, arrancando dela tudo o que não corresponde à fôrma, modelo ou padrão, que ele lhe quer impor. Se agisse assim não seria um artista, suas obras não seriam arte, pois teria desossado a obra da sua essencialidade, que é a originalidade, a surpresa, o inesperado.

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