19 agosto 2013

Tenção: Muitas mortes do egito





Após a repressão de quarta-feira das forças de segurança, que deixou ao menos 638 mortos, a Irmandade Muçulmana convocou uma 'sexta-feira da ira', com protestos em todo o país. As ruas do Cairo estão repletas de manifestantes.

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"Há agora onze corpos na mesquita perto da praça Ramsés (Cairo)", relata o editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, que está na capital egípcia. "Os corpos estão sendo envoltos em tapetes verdes. Cenas terríveis."

Segundo a Irmandade Muçulmana, 25 pessoas já morreram nos arredores da mesquita, informação não confirmada oficialmente.

"As manifestações (perto da praça Ramsés) começaram pacíficas. Até que um posto policial no final da praça foi apedrejado", relata Jeremy Bowen, da BBC, no Cairo. "Civis que apoiam os militares entraram em confronto com manifestantes pró-Mohammed Morsi (presidente deposto do país). A situação foi se deteriorando a partir daí, e bombas de gás e munição real foram disparadas do posto policial."
sexta-feira, 16 agosto 2013 11:33:50 BRT




Entenda as causas dos conflitos no Egito
Há seis semanas o país vive dias de tensão. A BBC criou uma lista de perguntas e respostas para explicar os últimos acontecimentos no país.

Ao menos 12 pessoas morreram até agora nesta sexta-feira no centro do Cairo, segundo dados da TV oficial egípcia.

Os enviados da BBC Bethany Bell e Richard Colebourn relatam tiros em ao menos dois pontos do Cairo: à beira do rio Nilo e na região de Zamalek.


"Os manifestantes estão com muita raiva, dizendo que o general Sisi (atual líder interino do país) não é um muçulmano de verdade e deu ordem para matar os muçulmanos", relata Jeremy Bowen, editor de Oriente Médio da BBC, no Cairo.

"O Egito está em uma crise séria, que se aprofunda - não sei como o país sairá dela sem mais violência e mortes."



Ainda estão sendo realizados no país funerais de vítimas da repressão de quarta-feira, quando ao menos 638 pessoas morreram.

Subiu para ao menos 20 o número oficial de mortos no Egito nesta sexta-feira. Além do Cairo, outras cidades registram protestos e confrontos. Em Ismailia, no canal de Suez, ao menos quatro pessoas morreram.

O Ministério do Interior do Egito declarou que as forças de segurança do país conseguiram conter "diversas tentativas de invasão de postos policiais por integrantes da Irmandade Muçulmana".



Confira a repercussão dos confrontos no Egito
Mais de 500 pessoas morreram; autoridades egípcias desmantelaram nesta quarta-feira acampamentos de seguidores de Mohammed Morsi.

Alexandria está mais calma nesta sexta-feira. Mas há confrontos esporádicos em duas áreas. Até o momento, a vida segue normalmente na principal estrada costeira, Corniche.
sexta-feira, 16 agosto 2013 12:25:55 BRT Ahmed Maher, do Serviço Árabe da BBC, em Alexandria


Nos arredores da praça Ramsés, no Cairo, um manifestante diz à BBC que está nas ruas para "rejeitar o golpe (militar) e dizer não aos ataques (em referência às forças de segurança)".

"Não estamos lutando por Morsi (o presidente deposto), mas pela legitimidade da democracia", disse ele.



A praça Ramsés é um dos principais focos de violência no Cairo. Acima, ferido em confrontos no local é levado para o hospital.


Por e-mail, o egípcio Shady Abuyusuf disse à BBC ter visto "oito pessoas morrerem diante dos meus olhos".

"Eles (forças de segurança) estão violando todos os valores humanos possíveis. Isso significa que haverá mais oito funerais, e o ciclo de violência continuará. Todos estão em pânico e o país inteiro está fervilhando."

Na quinta-feira, diversos governos criticaram publicamente a repressão oficial aos protestos no Egito. Nesta sexta, foi a vez da Itália, que convocou seu embaixador egípcio para condenar "o desproporcional, brutal e injustificável" uso da força contra manifestantes.

Ao mesmo tempo, o rei Abdullah, da Arábia Saudita, disse que seu país apoia o Egito contra o "terrorismo" e contra tentativas de "desestabilização", informa a agência Reuters.


A Folha de S. Paulo informa que seu fotógrafo Joel Silva, que cobre os protestos no Cairo, foi atingido de raspão na cabeça por um disparo; ele está sendo tratado e passa bem.

Em nova reação internacional ao ocorrido no Egito, a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, disse que vai rever a relação da Alemanha com o país árabe, por conta do derramamento de sangue na quarta-feira.




Subiu para 38 o número oficial de mortos nos confrontos no Egito nesta sexta-feira; fontes da agência Reuters já falam em mais de 50 vítimas fatais.

Na foto acima, homem ferido é carregado por manifestantes no Cairo.

Um comunicado do gabinete egípcio afirmou que "o governo, as Forças Armadas, a polícia e o grande povo do Egito estão unidos contra o malicioso plano terrorista da Irmandade Muçulmana".

O subsecretário-geral para assuntos políticos da ONU, Jeffrey Feltman, viajará ao Egito na semana que vem para "reunir-se com vários interlocutores, de dentro e de fora do governo, incluindo a Irmandade Muçulmana", informa a Reuters.

A repórter da BBC no Cairo Bethany Bell lembra que dentro de uma hora entra em vigor o toque de recolher imposto pelo governo egípcio. Autoridades pedem que as pessoas fiquem em casa.

Como fica a política externa americana ante a crise no Egito? Leia:


Crise no Egito abala credibilidade dos EUA
Alvo de críticas de simpatizantes e oponentes de presidente deposto, Casa Branca tenta defender democracia e proteger seus interesses.


Em Alexandria, onde a situação estava mais calma do que no Cairo, há relatos decinco mortes entre simpatizantes da Irmandade Muçulmana, diz a Reuters.

Calcula-se que haja 12 mortes nas cidades do delta do Nilo e 13 em outras partes do Egito.



"O mundo árabe está acompanhando atentamente (os fatos no Egito)", diz à BBC Baria Alamuddin, editor do jornal Al-Hayat.

"Há um temor pelo que está por vir e muita desilusão quanto à Primavera Árabe. As pessoas estão discutindo o que a democracia pode trazer - e o que é a democracia."



Na Grã-Bretanha, a oposição trabalhista pede que o governo britânico revise "com urgência" as ajudas financeiras europeias ao Egito e as licenças de exportações de armas ao país árabe, em resposta ao derramamento de sangue no país.

"Os generais egípcios não podem agir na impunidade", disse o trabalhista Douglas Alexander.




A agência Associated Press registrou o momento em que um policial à paisana mirava sua arma contra manifestantes da Irmandade Muçulmana.

As forças de segurança foram autorizadas pelas autoridades a usar munição real contra os manifestantes para autodefesa.

A crise política tem levado egípcios de classe média a buscar refúgio no exterior. Confira:


Instabilidade faz classe média deixar o Egito
Especialistas confirmar que fuga de cérebros pode prejudicar a recuperação do país.


O correspondente do serviço árabe da BBC, Ahmed Maher, está em Alexandria. Ele relata a situação na cidade:

"Há duas visões diferentes no Corniche, a principal avenida costeira da cidade, que está repleta de tanques militares. Na praia há famílias se divertindo, que dizem estar cansadas de política e afirmam que a vida tem que continuar. Mas no lado leste há uma enorme manifestação de protesto organizada pela Irmandade Muçulmana."

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